Serviço:

Sesc Pompeia

Dias 16 e 17 de abril

Sábado às 19h30 e Domingo às 16h

Livre para todos os públicos.

Grátis.

Saiba mais em: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=192036

Um pouco sobre a Estrela Brilhante de Igarassu

O Maracatu Estrela Brilhante de Igarassú, fundado em 1824, é uma das agremiações mais antigas do Brasil e considerado o maracatu de baque virado mais tradicional de Pernambuco.

Ele teria surgido na Ilha de Itamaracá, onde aparece registrado pelo inglês Henry Koster, no início do Século XIX, durante uma cerimônia de coroação do Rei do Congo com a presença do vigário da paróquia. Os escritos do inglês foram confirmados segundo relatos da Rainha Mariú, na verdade Maria Sérgia de Santana, a matriarca do Maracatu, falecida em outubro de 2003 aos 104 anos.

O pai de Dona Mariú, João Francisco da Silva, passou o folguedo para o marido da filha, Manoel Próspero de Santana, conhecido como “Seu Neusa”, que passou a ser o Rei do Maracatu e Mestre do Batuque da Nação. Com o marido, Dona Mariú foi morar no Alto do Rosário, hoje Sítio Histórico de Igarassú, onde está a sede do Estrela Brilhante. Em Igarassú, “Seu Neusa” e Dona Mariú tiveram 19 filhos, dos quais nove criados dentro da brincadeira.

Com a morte de “Seu Neusa”, na década de 80, e a impossibilidade de se locomover de Dona Mariú, o Maracatu ficou desativado por um período. Ele foi retomado em 1994 e hoje a grande referência desta cultura popular se encontra na figura da filha do casal, Dona Olga, responsável por cantar as toadas herdadas de seus pais.

O Maracatu Estrela Brilhante de Igarassú recebe este reconhecimento pelo seus mais de 185 anos de dedicação à resguardar o Maracatu de Baque Virado em sua forma original, feito no tempo dos escravos.

Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br

Manoel Salustiano Soares, conhecido como Mestre Salustiano ou Mestre Salu nasceu em Aliança, zona da mata norte de Pernambuco, no dia 12 de novembro de 1945.

Seu pai, João Salustiano, era um tocador de rabeca e foi quem o ensinou a fazer e a usar o instrumento. Mestre Salu usa praíba, imburana, pinho, mulungu e cardeiro para fazer suas rabecas, pois segundo ele são as melhores madeiras para produzir o som.

Durante a infância participou de brincadeiras e folguedos populares existentes nos engenhos de Aliança. Sua grande paixão é o cavalo-marinho, que apesar de utilizar alguns personagens, músicas e coreografias comuns aobumba-meu-boi, tem características próprias.

Foi um dos maiores dançadores de cavalo-marinho da região, interpretando diversos personagens: arrelequim, dama, galante, contador de toada, Mateus (durante nove anos), recebendo por isso o título de mestre. É considerado um dos grandes nomes do maracatu em Pernambuco, uma das maiores autoridades em cultura popular no Estado e o precursor ou “patrono espritual” do manguebeat.

Fundou o Maracatu Piaba de Ouro, em 1997, tendo participado com o grupo do festival de Cultura Caribeña, em Cuba. É o comandante do cavalo-marinho Boi Matuto, que criou em 1968, e do Mamulengo Alegre.

Mestre Salustiano também é um artesão. Além das rabecas é ele quem confecciona os bichos do bumba-meu-boi, cavalo, boi, burra; as máscaras do cavalo-marinho, feitas de couro de bode ou de boi e os mamulengos de mulungu.

É um dos grandes responsáveis pela preservação da ciranda, do pastoril, do coco, do maracatu, do caboclinho, do mamulengo, do forró, do improviso da viola e de outros folguedos populares do folclore nordestino.

Atualmente na Casa da Rabeca do Brasil, situada na Cidade Tabajara, em Olinda, espaço inaugurado recentemente pela família para apresentações de danças, oficinas, encontros de maracatus rurais e cavalo-marinho, além de shows de música regional, acontecem eventos o ano inteiro. Anteriormente, as apresentações eram organizadas por ele no Iluminara Zumbi,arena idealizada por Ariano Suassuna, durante sua gestão como secretário de cultura.

O espaço possui um grande terreiro para as diversas apresentações, bar, salão de danças e uma loja, onde são comercializados produtos de confecção própria, como rabecas, alfaias, pandeiro, mamulengos, além de peças doartesanato de barro de Caruaru.

Na época do carnaval, a Casa recebe caboclinhos, bois, burras, troças, ursos, além do seu maracatu Piaba de Ouro. No Natal, é palco para pastoril, ciranda, cavalo-marinho, entre os quais o Boi Matuto, com a participação de 76 figurantes e 18 pessoas brincando.

Foi agraciado com o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1965, e já percorreu com a sua arte a maioria dos estados brasileiros e países como a Bolívia, Cuba, França e Estados Unidos.

Recebeu ainda, em 1990, o título de “reconhecido saber” concedido pelo Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco e o de comendador da Ordem do Mérito Cultural, em 2001, pelo então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Tem quatro CDs gravados: Sonho da Rabeca, As três gerações, Cavalo-marinho, Mestre Salu e a sua rabeca encantada.

Mistura de músico, produtor, artesão e professor, Mestre Salu segue fazendo turnês nacionais e internacionais, tocando sua rabeca e mostrando sua peculiar fusão de ritmos do folclore nordestino.

Indicado pela Prefeitura de Olinda, foi escolhido pelo Governo do Estado, através da Lei  nº 12.196 de 2 de maio de 2002, como Patrimônio Vivo de Pernambuco.

Mestre Salustiano faleceu aos 62 anos, na cidade do Recife, no dia 31 de agosto de 2008.

FONTES CONSULTADAS:

AMORIM Maria Alice. Salu, um mestre de folguedos. Continente Documento, Recife, ano 4, n.43, p.39-43, mar. 2006.

ASSUMPÇÃO, Michelle. Símbolo da cultura popular, ás da rabeca.  Diário de Pernambuco, Recife, 31 jan. 2006. Caderno Especial.

BIOGRAFIA:

Mestre Salustiano. Disponível em: <http://www.pe-az.com.br/biografias/mestre_salustiano.htm> Acesso em: 18 maio 2006.

BITTENCOURT, Bruno; BARBOSA, Marco Antonio.  Mestre Salustiano festeja 50 anos de carreira. Disponível em: <http://cliquemusic.uol.com.br/br/Acontecendo/Acontecendo.asp?Nu_materia=4078> Acesso em: 10 maio 2006

MESTRE Salustiano. Disponível em: <http://www.municipios.pe.gov.br/municipio/Mestre_Salustiano.asp> Acesso em: 18 maio 2006.

MESTRE Salustiano ganha homenagem em livro. Disponível em: <http://trombeta.cafemusic.com.br/trombeta.cfm?CodigoMateria=884> Acesso em: 19 maio 2006.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. Mestre Salustiano. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

por Isadora – Surface to Air

foto: Diego Ciarlariello

Você é da Bahia, cresceu no Recife, depois veio para São Paulo. Porque você resolveu vir?
Zé Celso me convidou para integrar a Cia Uzina Uzona, que é o Teatro Oficina. Vim fazer Os Sertões. Já tinha feito As Bacantes, em 2001 e A Terra em 2002. O primeiro convite aconteceu em 1997, em Recife, na Soparia, depois de um show da Comadre Fulozinha.
Eles estavam lá para o Festival de Teatro e foram assistir nosso show depois de uma peça. Zé falou que a gente era as Bacantes e “as pastoras que comeram o velho”…rs!
Eu não sabia quem eram as bacantes. Depois fiquei sabendo bem muito.

Você é cantora, compositora, percussionista, atriz e ainda desenha. Tem alguma coisa que você ainda queira fazer que não tenha tentado?
Eu queria saber tocar piano, surfar, andar de skate, dirigir e falar muitas línguas
Eu canto, toco, desenho, escrevo…mas é tudo parte de uma coisa só, que eu fico querendo dizer, às vezes de um jeito, às vezes de outro.

Tem disco novo por aí?

Tô mostrando as músicas para banda e a gente tá começando a levantar os arranjos juntos. Nesse começo trabalhamos eu, Bruno Buarque, Mau e Dustan.

Fala um pouco do seu trabalho com a Amapô.
Tem uma amiga minha Odara que falou uma vez de uma amiga dela que desenhava uns maiôs incríveis, era Carô, da Amapô. Um tempo depois outra amiga minha, Isadora, falou que tinham duas meninas da Amapô que faziam roupas incríveis e que ia ser massa elas fazerem meu figurino.
Adorei ter ouvido de novo sobre elas e por outra amiga massa. E aí elas (Carô e Pitty) fazem umas coisas bem bonitas, que uso nos shows.

E o carnaval, vai ser aonde? diz aí um roteiro bom para o carnaval de Recife, blocos legais e shows.
Recife e Olinda. Para mim é sagrado, é uma das melhores coisas dessa vida. Tem que pegar uma programação oficial da prefeitura e ir atrás dos nomes dos blocos, ou dos shows. Ficar de bobeira na rua pegando o bloco que pasar também é bom.
Alguns maravilhosos são A Ceroula, O Elefante, o Segurucu, A Pitombeira, Flor da Lira, o maracatu Estrela Brilhante do Recife, o maracatu Piaba de Ouro, o Homem da Meia Noite, Mulher na Vara, Boi da Gurita Seca, Bacalhau do Batata…e os palcos espalhados pela cidade com zilhões de shows a noite inteira.

Sylvia Costa Couceiro
Pesquisadora da Diretoria de Pesquisas Sociais da Fundaj
pesquisaescolar@fundaj.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

Maracatus-nação: um pouco da sua história

A grande maioria dos autores que estudaram e escreveram sobre os maracatus-nação tinham como uma das preocupações centrais de sua análise a questão da origem da manifestação. De Mário de Andrade a Guerra Peixe, passando por Câmara Cascudo e outros inúmeros autores, a maior parte deles, em maior ou menor grau, identifica a origem dos maracatus-nação nos festejos de Coroação dos Reis do Congo1 que ocorriam em diversas partes do Brasil desde o período colonial.

Essa linha de raciocínio, que busca a todo custo identificar o nascedouro desse tipo de manifestação em sua pureza original africana, reforça a idéia que os maracatus-nação são produto único dessas tradições, descartando as misturas e transformações ocorridas ao longo dos séculos.

O que podemos realçar é que as primeiras notícias da existência dos maracatus-nação confundem-se não apenas com as festas de coroação dos Reis de Congo, mas também com toda sorte de batuques e celebrações organizados pelos negros na segunda metade do século XIX. Nessa fase, eram comuns no Recife as reclamações nos periódicos sobre a manifestação, vista pelos segmentos de elite como ‘antro de vadios e desordeiros’, perturbadora da paz e do sossego público.

O jornal A Província divulgava, em 1877, matéria mostrando a imagem que se tinha do folguedo na cidade:

Maracatu!
Não precisa ser descrito; todos nós podemos falar de experiência; O maracatu é uma coisa infame, estúpida e triste! [...] Mas por que consentimos nisso? Pois o povo [...], horda de escravos vadios que faz o maracatu não pode divertir-se pelo carnaval de um modo menos estupidamente infame e triste, e degradante e incômodo? [...] É civilizado um povo que tolera do maracatu? Isto não! [...]2

Na virada do século XIX para o XX, espelhadas no liberalismo europeu e nas convicções “científicas” correntes na época, que acreditavam na inferioridade racial dos negros, as práticas culturais afro-descendentes passaram a sofrer intensa perseguição policial. As religiões foram criminalizadas, acusadas de práticas de curandeirismo/charlatanismo, sendo seus adeptos presos e denunciados por exercício ilegal da medicina. Os batuques, fossem eles de Xangô ou de Maracatu, invariavelmente recebiam inspeções da polícia, que prendiam seus praticantes e recolhiam os objetos de culto que encontravam nos terreiros.

No início do século XX, Pereira da Costa, no livro Folk-Lore Pernambucano, faz a primeira descrição detalhada de um desfile de maracatu: consiste em um

cortejo régio, que desfila com toda solenidade inerente à realeza, e revestido, portanto de galas e opulências [...] rompe o préstito um estandarte [...], seguindo-se em alas dois cordões de mulheres lindamente ataviadas [...], figurando no meio desses cordões vários personagens que conduzem os fetiches religiosos [...]. Fechando o préstito o rei e a rainha [...], ostentando as insígnias da realeza, como coroas, cetros e compridos mantos.3

Muitos escritores e intelectuais registraram suas impressões e experiências sobre os maracatus do Recife. Mário Sette, em Maxambombas e maracatus, relata suas impressões de menino, revelando seus medos e repassando a imagem dos maracatus como algo melancólico e sombrio. Fernando Pio, no livro Meu Recife de outrora: crônicas do Recife antigo, reproduz uma visão semelhante à de Mário Sette sobre a manifestação, utilizando uma série de adjetivos negativos, apesar de enfatizar o caráter pitoresco e interessante dos grupos. Nos anos trinta, José Lins do Rego no seu romance O moleque Ricardo apresenta visão similar sobre o maracatu, destacando-o como uma manifestação cujo ponto de destaque era a tristeza.

As imagens construídas sobre o maracatu ao longo do século XX por viajantes, escritores e memorialistas são múltiplas e complexas, conforme podemos perceber, destacando sempre aspectos avaliados como negativos. Considerava-se o folguedo grotesco, melancólico e triste, animado por uma música repetitiva, barulhenta, inexpressiva, além de apresentá-lo como uma manifestação de certa forma frágil, uma vez que ela estava sempre correndo o risco de extinguir-se.

Da perseguição policial à manifestação símbolo de Pernambuco

Desde os anos 1930, quando da divulgação das idéias modernistas e da realização do 1º Congresso Afro-Brasileiro, vimos ocorrer um movimento de transformação na visão da sociedade sobre os maracatus-nação. Na busca de símbolos que representassem o estado de Pernambuco e seu povo, os intelectuais procuram na cultura popular a fonte de inspiração. Manifestações antes vistas como atrasadas, resquícios de um passado colonial que a todo custo se desejava esconder, passam a ser revistas, assumindo novos espaços no contexto cultural do Estado.

Dentre as manifestações escolhidas como representativas da “pernambucanidade” está o maracatu-nação. Em um processo gradual e lento de legitimação, o maracatu é elevado de um lugar de discriminação e exclusão a um espaço que o reconhece enquanto marco da mais tradicional e autêntica cultura popular, emblema legitimo do Estado.

Nesse processo, foi fundamental a participação de artistas e intelectuais que transitando pelo universo da cultura do povo, trouxeram elementos dos maracatus, até então alvo de rigoroso controle policial, para espaços frequentados pelas elites. Poetas, como Ascenso Ferreira, músicos e compositores como Capiba e Nelson Ferreira, pintores e fotógrafos como Lula Cardoso Ayres e Alexandre Berzin e o escultor Abelardo da Hora, atuaram nesse processo de incorporação do maracatu como importante elemento da cultura pernambucana.

Noite dos Tambores Silenciosos

Em 1961, o jornalista e folclorista Paulo Vianna, junto com alguns intelectuais e participantes dos maracatus-nação, organizou uma cerimônia que reunia os grupos de maracatus-nação existentes na cidade do Recife, com o objetivo de prestar uma homenagem à memória dos negros que morreram no cativeiro.

O espetáculo tem se repetido desde então, fazendo parte hoje do calendário carnavalesco do Recife, constituindo-se numa tradição que, tanto instituições públicas que organizam o carnaval quanto grupos de afro-descendentes fazem questão de manter. A cerimônia/homenagem foi chamada de Noite dos Tambores Silenciosos, e ocorre desde então toda segunda-feira de carnaval no Pátio do Terço, localizado no bairro de São José, espaço central da cidade.

O evento é um marco de uma longa trajetória na história dos maracatus-nação, tomando-os como símbolos da cultura negra, e marcando também a sua significativa contribuição para a afirmação da identidade cultural do estado de Pernambuco.

Novos toques e misturas

Na atualidade os maracatus-nação constituem um forte ícone da cultura pernambucana, principalmente devido à incorporação de sua sonoridade na música produzida por grupos e pelas bandas locais surgidas nos anos 1990. O surgimento do Maracatu Nação Pernambuco e o novo momento na cena musical pernambucana, com o nascimento do movimento Manguebeat, propondo, dentre outras coisas, a fusão do rock com elementos considerados representativos da “verdadeira” e “tradicional” cultura pernambucana, como ritmos, danças, e outras práticas populares, trouxeram para o centro das atenções os maracatus. Promovendo verdadeira alquimia musical, Chico Science e Nação Zumbi, Mundo Livre S.A, e outras bandas, começaram a usar o som pesado e marcante das alfaias dos maracatus nos seus arranjos musicais, inaugurando um novo ciclo para a manifestação, elevando diante das camadas médias seu prestígio e importância.

A participação dos maracatus-nação enquanto representante da cultura pernambucana tem se intensificado em eventos ao redor do mundo. Desde o início dos anos 2000, o percussionista Naná Vasconcelos participa, junto com mestres e mais de 700 batuqueiros de diversos grupos de maracatus-nação do Recife, da cerimônia de abertura oficial do carnaval da cidade. Depois de semanas de ensaios nos diferentes bairros e comunidades dos integrantes, grupos de diversas origens e diferentes toques fazem uma apresentação conjunta diante de grande público reunidos na Praça do Marco Zero, no bairro do Recife, sob a regência do percussionista, abrindo as festividades do carnaval.

Assim, de folguedo discriminado e perseguido pela polícia, nas duas últimas décadas do século XX o maracatu é elevado à expressão máxima da cultura local, resumo do sentimento do “ser pernambucano”. Hoje, ao abrirmos os jornais, não encontramos mais as matérias preconceituosas sobre seus participantes, mas reportagens e manchetes que exaltam a força e vigor do ritmo e sua identificação com a cultura do povo do estado, como no Jornal do Commercio de janeiro de 2007

“O maracatu está na moda”:

A classe média foi seduzida pelo maracatu. O contagiante som de alfaias, agbês, agogôs, caixa e outros instrumentos de percussão faz parte hoje do cotidiano de gente que, poucas décadas atrás, jamais imaginaria estar tocando nestes grupos. Um giro nos fins de semana pelas ruas do Bairro do Recife, na capital pernambucana, ou pelas ladeiras de Olinda, revela o crescente interesse ela tradição africana. A discriminação foi esquecida. E com a proximidade do carnaval, a realidade fica mais evidente. Crianças, adolescentes e adultos, pernambucanos ou não, daqui ou de fora do país, anônimos ou famosos, TODOS SE RENDEM AO RITMO DOS TAMBORES.4

Notas:
1 Para maiores detalhes sobre as cerimônias de Coroação dos Reis do Congo, ver Mello e Souza, Marina. Reis negros no Brasil escravista. História da festa de coroação de rei Congo. Belo Horizonte: UFMG, 2002.
2 Jornal A Província, Recife, 16 fev. 1877 apud RABELLO, Evandro. Memórias da folia: o carnaval do Recife pelos olhos da imprensa 1822/1925. Recife: Funcultura, 2004, p. 198.
3 PEREIRA DA COSTA, F. A. Folk-lore pernambucano: subsídios para a história da poesia popular em Pernambuco. Recife: Arquivo Público Estadual, 1974. p. 216.
4 Jornal do Commercio, Recife, 28 jan. 2007. p. 4. Destaque da autora.

Recife, 9 de julho de 2010.

FONTES CONSULTADAS:

MELLO E SOUZA, Marina. Reis negros no Brasil escravista: história da festa de coroação de rei Congo. Belo Horizonte: UFMG, 2002.

PEREIRA DA COSTA, F. A. Folk-lore pernambucano: subsídios para a história da poesia popular em Pernambuco. Recife, Arquivo Público Estadual, 1974, pág.216.

RABELLO, Evandro. Memórias da folia: o carnaval do Recife pelos olhos da imprensa 1822/1925. Recife: Funcultura, 2004, p. 198.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

COUCEIRO, Sylvia. Maracatus-nação. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

A Cidade Tabajara, em Olinda, promoveu nesta segunda um banho de cultura popular: realizou o 21º encontro de maracatus de baque solto, com a apresentação de 55 agremiações, na arena do Espaço Ilumiara Zumbi, enquanto a 300 metros, na Casa da Rabeca, ocorreu a sétima edição do “Carnaval Mesclado” com afoxés, caboclinhos, maracatus de baque solto e de baque virado e grupos de frevo.

“É um corredor de cultura popular”, resumiu Pedro Salustiano, coordenador da Casa da Rabeca, referindo-se ao local. Ali, longe da folia que lota as ladeiras históricas de Olinda, ninguém precisa disputar espaço. Nem quem se apresenta, nem quem usufrui. Iniciado às nove horas, o espetáculo deveria se estender até o início da noite.

O primeiro encontro dos maracatus de baque solto reuniu 12 agremiações e foi instituído pelo Mestre Salustiano, ícone da cultura popular, já falecido. Ele temia pela extinção do folguedo, cujo berço são os engenhos de cana de açúcar da zona da mata norte. Atualmente a Associação estadual dos Maracatus de Baque Solto, presidida pelo seu filho, Manoel Salustiano, registra 110 maracatus de baque solto. “Continua crescendo”, assegura ele, ao citar as duas novas agremiações, criadas no ano passado e que estrearam no encontro deste ano: o Leão Vencedor das Flores e o Leão da Floresta de Paudalho.

Entre os que também passaram pela arena do Ilumiara Zumbi, fazendo suas evoluções e cantando suas loas, estão o maracatu de baque solto Piaba de Ouro, criado por Mestre Salustiano, e os mais antigos – o Cambindinha de Araçoiaba, de 1914, e o Cambinda Brasileira de Nazaré da Mata, de 1918.

O primeiro a se apresentar foi o Águia de Ouro, de 1933. Um dos seus caboclos de lança – figura que se tornou um dos símbolos do carnaval pernambucano – Severino Francisco da Silva, 73 anos, se transforma ao encarnar a personagem. Deixa de ser o homem simples, pobre, com poucos dentes na boca, para desempenhar a função de divertir, instigar e preservar a cultura popular. “Me sinto feliz e realizado”, afirmou ele, animado com a agenda cheia do Águia de Ouro.

Muito suado sob o sol forte, ele disse nem sentir os 30 quilos da sua fantasia, que chama a atenção pelos chocalhos que carrega nas costas sob a gola – que recobre o corpo do pescoço ao joelho bordada de lantejoulas – e fazem forte som mediante suas evoluções. Com chapéu recoberto de fitas de ráfia, leva na boca uma rosa branca que representa o segredo do caboclo de lança. “Quem sabe não diz”, se antecipa a qualquer curiosidade.

Folguedo de origem afro-indígena, o maracatu de baque solto também tem na sua formação os arreiamar (ou caboclos de pena), com chapéus com cerca de mil penas de pavão, as figuras do Mateus, Catirina, a burra, o rei, a rainha, a dama do paço, as baianas.

A orquestra é composta de bombo, tarol, porta (cuíca), ganzá e gonguê. Silencia quando o mestre tira as loas – que abrangem temas desde o descobrimento do Brasil à saudação de políticos – e toca com garra mediante sua ordem, dada por um apito que indica o início e o fim de cada execução.

Agência Estado

“O Ministério dos Esportes deverá instalar neste mês, em Brasília, a Câmara Técnica Temática de Cultura e Educação para a Copa 2014. O objetivo é discutir e planejar com as 12 cidades-sedes do certame ações nessas áreas a serem implementadas dentro dos preparativos para o mundial.

Nesse sentido, os maracutus de Fortaleza esperam não ser esquecidos pela organização local do evento. Lembram até que aumentaram de cinco para 13 o número de agremiações que, inclusive, participaram neste ano do desfile da avenida Domingos Olímpio.

De fato, o maracatu tem se constituído como uma das principais atrações do Carnaval de Fortaleza. Chegou, portanto, a hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor.”

Fonte: Jornal O Povo

Maria Júlia do Nascimento, a Dona Santa, a mais conhecida rainha dos maracatus recifenses, nasceu no dia 25 de março de 1877, no pátio de Santa Cruz, no Recife, Pernambuco.

Antes de ser rainha do Maracatu Elefante onde ficou famosa, Dona Santa ou Santinha participou de congadas (dança de origem africana), das troças carnavalescas Verdureira Miçangueira, foi rainha do Maracatu Leão Coroado e fundou a Troça Carnavalesca Mista Rei dos Ciganos, que se transformou depois no Maracatu Porto Rico do Oriente.

Filha e neta de africanos, tinha no sangue o ritmo da zabumba e do “baque virado” do maracatu.

Quando era rainha do Leão Coroado, casou-se com João Vitorino, abdicando do trono depois que seu marido foi escolhido para reinar no Maracatu Elefante, fundado, segundo várias fontes, em 1800.

Dona Santa foi rainha do Maracatu Elefante durante dezesseis anos, período em que a agremiação teve seu maior destaque. Ao ficar viúva, assumiu sua direção, porém só foi coroada no dia 27 de fevereiro de 1947.

Elefante se apresentava na segunda-feira de carnaval. Dona Santa desfilava com um vestido à moda européia do século XIX, feito de seda, veludo, cetim, bordado com lantejoulas, miçangas e fios dourados. Levava um espadim de metal com o qual abençoava seus “súditos”, além de cetro, coroa, capa de gola alta, sapatos de salto fino, brincos, anéis, pulseiras e broches. Suas cores preferidas eram o amarelo, azul, branco e verde.

Figura tradicional e muito respeitada, Dona Santa reinou durante muitos carnavais recifenses e foi tema de estudos de vários pesquisadores, como por exemplo a norte-americana Katarina Real.

Dona Santa faleceu no Recife, em 1962, aos 85 anos.

O Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, atual Fundação Joaquim Nabuco, comemorou o centenário de nascimento de Dona Santa, em 1977, com uma mostra do seu rico acervo, doado à Instituição e que hoje se encontra no Museu do Homem do Nordeste.

Fonte: Fundação Joaquim Nabuco